sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Postado primeiramente por Dave C. no Título definitivo

Uma Breve Novela

Eu escrevi "Uma Breve Novela" no título e não sei porque comecei a gargalhar sozinho. Não é uma coisa muito sábia a se fazer às 01:11 da manhã, espero que as pessoas do quarto ao lado não me dêem por maluco.

Mas esse vai ser o título definitivo...

Aquela veadagem de "graphic novel" me deixou bem descrente, afinal, eu sou uma falha épica nas artes visuais, assim como em muitas outras atividades que considero como "hobbie". Bom, eu não desisti. Ainda. Mas por enquanto, vou me virar com o antigo formato.

Em resumo: YAY! MAIS UM TEXTO SEM TÍTULO PARA VOCÊ!!



Ele foi recobrando os sentidos preguiçosamente debaixo do lençol, mas não abriu os olhos. Fosse a hora que fosse, ainda não era hora de se levantar. Sua cabeça ainda transitava pela lembranças da noite passada. O álcool que ainda borbulhava dentro dele o fazia, na sua ilusão, girar suavemente sem parar. Como se alguma entidade sobrenatural embalasse o seu sono. Pedaços de músicas iam e vinham, ele murmurava qualquer besteira, misturava as letras, se esquecia dos rostos, achava graça do que provavelmente tinha acontecido. A cor bege das paredes, o reflexo da luz amarela, o gosto da vodka, do rum, de qualquer outra merda que tivessem levado prá aquele apartamento. O colchão estava tão confortável... nunca estivera tão confortável... esse cheiro. Não era dele. Ah, esse cheiro vinha da festa... do banheiro? Não. Ou talvez sim. Esse cheiro tinha alguma coisa ver com o Paulo. Epa, aquela menina que ele levou... prima dele? Irmã dele? Não sabia dizer... ela estava com ele... Depois da meia-noite e meia a cerveja tinha gosto de mijo e o Leandro tinha vomitado todo o energético na grama. A corda do violão arrebentou.... merda. "Grandes merda" disseram. Lembranças.... vários pedaços delas passeavam e seus olhos fechado.... OPA. O cheiro da garota.... o que?

Ele se virou para a direita e abriu os olhos com calma. Costas nuas. Costas brancas e nuas. O cheiro do perfume dela ou sei lá. O cheiro de sexo o deixou satisfeito. He he he. A noite foi boa. "Preciso fazer isso mais vezes". Só esse gosto seco e nojento na boca... "Preciso beber menos". Aaaah... Hora de levantar. Hum.... é difícil se mover com tanta preguiça debaixo da pele. Mas é preciso. Hora de levantar, se vestir, comer qualquer bagulho da geladeira.... vidinha difícil essa. Ele não podia reclamar.

Ele se levanta e apóia o cotovelo nos joelhos. A garota dorme angelicalmente sob o lençol branco. O vislumbre do seu corpo semi-nu era algo excitante... ah, era. Sara... Samara? Sabrina! Sabrina. O sono de Sabrina era de dar inveja. Sua pele macia também. "Pelo menos eu não fiz nenhuma besteira... longe disso". Sorria lascivamente enquanto admirava-a.

"Bom..."

Sentou-se na beirada da cama. Na mesa de cabeceira, o rádio-relógio marcava exatamente 12:00. Seu relógio de pulso e uma carteira de couro cor-de-rosa estavam lá também. A carteira devia ser dela, obviamente. Ele pegou-a e abriu-a. Ao lado das divisões para cartões, uma cateira de indentidade dentro de um plástico fosco. Ele tira o documento de lá e o analisa. Ninguém fica bem em foto três-por-quatro, mas ela até que tinha dado um pouco de sorte. Talvez por ter nascido com aqueles olhos verdes. "Cara, eu nunca fui de fazer isso. Se encher tanto a cara significa achar mulheres 'desse nível'.... I wonna drink it all!". Virou a indentidade e começou a ler.

Eis o que lhe chamou a atenção:

SABRINA CERQUEIRA CAMPAGNOLLI

NATURALIDADE: BELO HORIZONE - MINAS GERAIS

REGISTRO GERAL: 492383-2

DATA DE NASCIMETO: 04/08/1993

Ele segurou a carteira de indentidade com as duas mãos e apertou os olhos.


DATA DE NASCIMETO: 04/08/1993

"Mil novecentos e noventa e três..." gesticulou com os lábios.

Raciocinou um pouco e fez uma careta.

"PUTA MERDA!"

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